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O Corpo Fala: O que os Nossos Sintomas Têm a Dizer sobre a Nossa Mente? 🧠

  • Foto do escritor: Ana Paula Costa
    Ana Paula Costa
  • 1 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

Você já sentiu aquela dor de estômago terrível antes de uma apresentação importante? Ou percebeu que a sua enxaqueca ataca sempre que você está sob muito estresse? Se sim, você sentiu na pele a forte conexão entre a sua mente e o seu corpo.

Não somos feitos de partes separadas: o que sentimos em nosso emocional tem um impacto real e profundo na nossa saúde física. As emoções que guardamos, a pressão do dia a dia e o sofrimento psicológico podem se manifestar como dores e doenças, as chamadas doenças psicossomáticas.



Na clínica psicanalítica, aprendemos que o corpo não é apenas um organismo biológico — ele é também um espaço simbólico onde o inconsciente se manifesta. Quando a mente não encontra palavras para expressar seus conflitos, o corpo assume esse papel. Os sintomas físicos, muitas vezes considerados meramente médicos, podem ser a linguagem silenciosa da psique.


🧠 O Corpo como Expressão do Inconsciente

Sigmund Freud, ao estudar os casos de histeria, revelou que os sintomas físicos podem ser expressões simbólicas de conflitos psíquicos recalcados. A dor, a paralisia, a afonia — tudo isso pode ser uma forma de o inconsciente dizer aquilo que o sujeito não consegue verbalizar.

Jacques Lacan reforça essa ideia ao afirmar que “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”. Ou seja, o corpo pode ser lido como um texto, onde os sintomas são signos que precisam ser decifrados.


🧩 O Sintoma como Enigma a Ser Decifrado

Na escuta psicanalítica, não buscamos eliminar o sintoma de imediato, mas compreendê-lo. Ele é um enigma que carrega uma verdade subjetiva. Ao invés de silenciá-lo com medicamentos ou intervenções imediatistas, propomos um espaço de fala onde o sujeito possa se escutar, elaborar seus conflitos e, assim, transformar o sintoma.

Essa abordagem não nega a importância da medicina, mas a complementa. Afinal, nem todo sintoma físico tem origem psíquica, mas muitos deles carregam significados que merecem ser escutados com atenção e cuidado.


🩺 Exemplos Clínicos: Quando o Corpo Fala ( os nomes são ficticios):

1. O Coração Acelerado de "Camila"

Camila é uma pessoa muito preocupada com a opinião dos outros e tem uma forte tendência a reprimir a raiva ou a frustração para manter a "paz". Ela começou a sentir palpitações e taquicardia (coração acelerado) frequentemente, mesmo em momentos de descanso, o que a assustava muito.

  • O que aconteceu: As emoções intensas e não expressas de Camila estavam mantendo seu sistema nervoso simpático (o da "luta ou fuga") hiperativo. Essa ativação constante se manifestou nas alterações do ritmo cardíaco, elevando o estresse cardiovascular.

  • O Corpo Falou: "Estou sempre em modo de emergência, preciso desacelerar e liberar essa energia tensa."


. 2. O Bloqueio de "Roberto" e a Disfunção Sexual

Roberto estava passando por grandes dificuldades financeiras e sentia-se profundamente envergonhado e incapaz de resolver a situação. Apesar de amar sua parceira, ele começou a ter dificuldade em manter a ereção.

  • O que aconteceu: A ansiedade de desempenho e a baixa autoestima ligadas aos problemas externos geraram uma grande tensão psicológica. O estresse é um "ladrão de libido" e, ao desviar o foco mental e gerar a preocupação, afeta diretamente a resposta fisiológica sexual, causando a disfunção erétil psicogênica.

  • O Corpo Falou: "Minha mente está tão sobrecarregada com a pressão que não consigo me conectar com o prazer ou relaxar o suficiente."


3. A Sobrecarga de "Sílvia" e a Queda de Cabelo

Sílvia estava enfrentando uma sobrecarga de trabalho e estudos. Ela estava exausta e se cobrando perfeição em tudo. Em pouco tempo, notou que seu cabelo estava caindo em quantidades alarmantes.

  • O que aconteceu: O estresse crônico (aquele que dura muito tempo) e o esgotamento físico e mental levaram a um desequilíbrio hormonal. O aumento persistente do cortisol pode interferir no ciclo de crescimento do cabelo, resultando em condições como o eflúvio telógeno (queda de cabelo relacionada ao estresse).

  • O Corpo Falou: "Não aguento mais essa sobrecarga; estou me esgotando rapidamente."


4. O Estresse de "Pedro" e a Gastrite

Pedro é um profissional dedicado que vive sob pressão para cumprir metas apertadas. Ele nunca tira férias e mal tem tempo para almoçar com calma. Recentemente, ele começou a sentir uma queimação constante no estômago e dores após as refeições.

  • O que aconteceu: A ansiedade e o estresse de Pedro estavam fazendo seu estômago produzir ácido gástrico em excesso. Com o tempo, essa hiperacidez irritou o revestimento do órgão, causando a gastrite nervosa.

  • O Corpo Falou: "Estou digerindo uma carga muito pesada de preocupações e pressões que não consigo processar."


5. A Tristeza de "Mariana" e a Dermatite

Mariana passou por uma perda muito dolorosa e, por medo de incomodar, guardou toda a sua tristeza e luto para si. Ela tentava ser forte, mas, aos poucos, começou a ter manchas vermelhas e coceiras intensas na pele, que pioravam à noite.

  • O que aconteceu: A tristeza reprimida e o estresse emocional contínuo enfraqueceram o sistema imunológico de Mariana e ativaram uma resposta inflamatória na pele, manifestada como uma dermatite atópica.

  • O Corpo Falou: "Não consigo colocar para fora a dor que sinto; ela está se manifestando na minha superfície."


6. A Preocupação de "Lucas" e a Enxaqueca

Lucas é uma pessoa que se preocupa excessivamente com o futuro, sempre imaginando o pior. Seus pensamentos acelerados e a tensão constante fizeram com que ele começasse a ter enxaquecas fortes e debilitantes, com náuseas e sensibilidade à luz.

  • O que aconteceu: A tensão mental e o estado de alerta constante gerados pela ansiedade crônica causaram uma tensão muscular contínua no pescoço e couro cabeludo, desencadeando e agravando suas crises de dor de cabeça tensional e enxaqueca.

  • O Corpo Falou: "Minha mente não para e está sobrecarregada, me forçando a parar para prestar atenção na dor."


🔬 O Que Acontece "Por Dentro"

Quando passamos por momentos de estresse, ansiedade ou tristeza profunda, nosso corpo entra em estado de alerta, como se estivéssemos fugindo de um perigo. Automaticamente, ele libera hormônios como o cortisol (o "hormônio do estresse") e a adrenalina.

Essa reação, que é ótima em uma emergência, torna-se prejudicial quando é constante. Níveis altos e prolongados desses hormônios podem:

  • Acelerar o coração e aumentar a pressão arterial.

  • Abaixar a nossa imunidade, nos deixando mais vulneráveis a gripes e infecções.

  • Aumentar a tensão muscular, causando dores nas costas, pescoço e maxilar (bruxismo).

  • Afetar o sistema digestivo, já que ele está intimamente ligado ao nosso sistema nervoso.


✨ Formas Simples de Gerenciar o Estresse no Dia a Dia

O manejo do estresse exige pequenas atitudes constantes. Não espere a crise chegar para começar a se cuidar:

  • 1. A Poderosa Respiração: Inspire lentamente pelo nariz, contando até 4. Segure por 4 segundos. Expire lentamente pela boca, contando até 6. Repita por 5 minutos. Isso ativa o sistema de "descanso" do corpo.

  • 2. Movimente-se!: Faça uma caminhada de 15 a 30 minutos, dance ou alongue-se. O exercício libera endorfinas (os hormônios do bem-estar), que agem como analgésicos naturais.

  • 3. O "Não" Protetor: Aprenda a estabelecer limites. Dizer "não" para compromissos que você não pode assumir protege sua energia mental e reduz a sensação de sobrecarga.

  • 4. O Poder do Lazer e da Conexão: Dedique tempo para um hobby que você ame (ler, pintar) ou para conversar com amigos. O apoio social e o lazer são grandes protetores contra o estresse.

  • 5. Desconexão Digital: Estabeleça horários para verificar e-mails e redes sociais. Mantenha os aparelhos longe do quarto 1 hora antes de dormir para melhorar a qualidade do sono, fundamental para gerenciar o estresse.


🧩 Escutar o Sintoma é Escutar a Si Mesmo

Na psicanálise, o sintoma não é um inimigo a ser eliminado, mas um enigma a ser compreendido. Ele carrega uma verdade subjetiva, uma tentativa de simbolizar o que foi recalcado. Ao oferecer um espaço de fala, permitimos que o sujeito se escute, elabore seus conflitos e transforme sua relação com o corpo.

“O corpo é a tela onde se escreve o inconsciente.”— Françoise Dolto, A Causa das Crianças (1985).


🌟O Reencontro com o Eu

O seu corpo é o palco de todas as suas emoções não resolvidas. Ele não se manifesta com dores para te punir, mas sim para te avisar: preste atenção em mim!

A chave para a saúde plena é o equilíbrio. Permita-se sentir, expresse suas emoções de forma saudável e, acima de tudo, não tenha medo de se aprofundar no seu mundo interno. Ao dar voz aos conflitos da sua alma, você está oferecendo a cura mais profunda para o seu corpo. Cuide da sua mente, pois ela é a fundação da sua saúde física.

O corpo fala — e escutá-lo é um ato de cuidado profundo. Ao compreender os sintomas como mensagens do inconsciente, abrimos caminho para uma escuta mais sensível e transformadora. A psicanálise nos convida a decifrar esses sinais, não para silenciá-los, mas para dar-lhes voz e sentido.


📚 Bibliografia Utilizada (Base de Pesquisa)

  • Princípios da Psicanálise sobre a formação do sintoma e a relação mente-corpo.

  • Estudos sobre Doenças Psicossomáticas e a fisiologia do estresse (cortisol e adrenalina).

  • Referências sobre o manejo do estresse e técnicas de relaxamento.

 
 
 

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